Características do vinho Carménère

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Quando falamos nas características básicas de um vinho Carménère – um dos mais populares no Brasil – é preciso verificarmos uma série de fatores acerca dessa variedade de uva, da família Vitis Vinífera. Para saber quais são essas informações e entender ainda mais sobre vinhos, acompanhe nosso post.

Carménère: Redescoberta Chilena para o mundo

Antes de mais nada, é preciso fazermos um breve retorno na história deste vinho. A uva Carménère, originada na França, mais precisamente na região de Médoc – que fica em Bordeaux -, foi cultivada por lá até meados do ano de 1860. Aí a história começa a ficar interessante.

  • No final dos 1800, uma praga chamada Filoxera dizimou os vinhedos na Europa, acabando com todas as uvas Carménère daquela região.
  • Foram quase 200 anos de vinhos no mundo sem um Carménère.
  • Enólogos e pesquisadores davam à uva a sentença de extinta.

Mal sabiam que no Chile, as uvas Carménère estavam firmes, fortes e saudáveis, fazendo vinhos como se fossem uvas Merlot!

Por obra do destino, as sementes dessa uva chegaram ao Chile por meio dos imigrantes europeus. Muitas famílias traziam para o país as uvas que costumavam usar em sua terra natal.

No meio de muitas uvas Merlot plantadas nas áreas da vinícola Viña Carmen, que iniciou os trabalhos no Chile em 1850, havia Carmenérè se passando por Merlot.

A descoberta foi feita em 1994 por um pesquisador francês, que quis entender porque algumas videiras de Merlot estavam ficando maduras antes das outras. O pesquisador fez um estudo genético que identificou a extinta Carménère em meio a outras plantas de Merlot.

Desde então, o Chile abraçou a uva como se fosse sua, e a tornou símbolo da vitivinicultura local. O vinho de Carménère logo alcançou o título de “fênix das uvas“, ressurgindo das cinzas para o paladar de milhares de enófilos em todo o mundo. Pela segunda vez. Os franceses só puderam beber novamente um Carménère graças ao Chile.

O Chile teve e terá papel essencial na história do vinho mundial, sendo palco do renascimento de uma uva francesa no final do século XX.

CURIOSIDADE
Atualmente, o Chile é um dos poucos países do mundo ainda produzindo o Carmènére, tomando-a como a uva emblema do país, como o Malbec é para a Argentina.

Sendo assim, o Chile ficou responsável pela Carménère e a Argentina, pelo Malbec. Ambos usam as uvas para promover o vinho regional. Enaltecendo os nomes Carmènére e Malbec, os dois países divulgam seu produto “vinho” mundo a fora.

E quais são as características básicas de um Carménère?

Bem, chegou aquela horinha que você gosta. Vamos desmontar o Carménère de um jeito que você irá conseguir entender a uva sem se perder no meio do caminho. Assim como fizemos com a Pinot Noir e a Malbec.

Cor da Carménère

Este vinho possui uma tonalidade rubi bem escura apresentando também bordas delicadamente rosadas. Trata-se de uma bebida de cor profunda, uma das principais características dos tintos clássicos.

Geralmente, apresenta cor intensa e é pouco translúcido. Tem características de cores de vinhos mais encorpados como a Cabernet Sauvignon.

Aromas da Carménère

Tradicionalmente, o aroma obtido de um bom Carménère deve ter uma combinação de frutas negras, terra molhada e um toque de pimenta preta. Mas os aromas variam de acordo com a forma de produção do vinho.

Quando este vinho passa pelo processo de envelhecimento em madeira, ele poderá apresentar uma complexidade maior, com aromas que recordam baunilha, chocolate ou tabaco.

Sabor da Carménère

E por falar em sabor, há um fato curioso que ronda as rodas de enófilo. Muitos especialistas afirmam que os sabores da Carménère podem ser comparados como se fosse um “meio termo” entre o Merlot e o Cabernet Sauvignon. Por que?

Embora os taninos sejam considerados mais suaves (se comparados ao Cabernet Sauvignon), esta uva não apresenta a mesma delicadeza que a Merlot. A Merlot traz uma textura mais encorpada, rugosa. Enquanto a Carménère não tem esse poder de dar uma textura “aveludada” ao vinho.

É importante frisar que a qualidade de sabor do Carménère depende de um fator primordial: o tempo de amadurecimento para o ponto exato da colheita. Caso este tipo de uva seja colhido antes do tempo, isso pode ser uma catástrofe para o vinho e obviamente interferir no sabor obtido.

Caso colhidas precocemente, surgirão aromas de pimentão e de caule cortados em demasia. Chamamos de “aromas herbáceos”. Vale lembrar que esses aromas herbáceos podem ser bons, mas de forma geral, não são agradáveis em Carménère colhido antes do tempo. Isso, por se destacar muito em meio à outros possíveis aromas.

Como se pronuncia Carménère?

Dúvida recorrente entre nossos leitores. Para pronunciar Carménère corretamente, você precisa esquecer o último “e”. Seria algo próximo de “Carmenér”. Mas se você for pronunciar da forma francesa, vai precisar puxar o último “r”, de forma arrastada. Algo próximo de “CarmenérR”. Difícil, hein?

Com quais pratos este vinho combina?

De maneira geral, o Carménère harmoniza bem com pratos próximos das harmonizações de Cabernet Sauvignon. Carnes fortes, assadas ou bastante temperadas. Pratos de massas com bastante molho de alta acidez, como molho bolonhesa. Lasagnhas e outros pratos mais “gordos”.

Algumas dicas:

  • Carnes vermelhas magras (sobretudo cortes de filé mignon);
  • Massas com molhos de tomate;
  • Queijos maduros;
  • Frutos do mar (desde que preparados com molhos e/ou especiarias).

Neste último caso, dê preferência para vinhos Carménère de menor valor, mais simples e de menor corpo. Para saber se um Carménère irá bem com frutos do mar, avalie quão translúcido ele é. Se der para ver através da taça, é um bom indicativo.

Se você quiser harmonizá-lo com pratos mais pesados, escolha os mais escuros e mais densos – difícil de ver o outro lado da taça.

Qual o clima ideal para tomar um Carménère?

Mantendo-se fiel às características dos tintos de coloração intensa, este tipo de vinho é mais recomendado para ser servido nas noites de outono e inverno, ou seja, quando a temperatura cai.

Dicas para acertar na hora da compra

Mesmo em meio a uma grande variedade de vinhos Carménère disponíveis nas adegas e supermercados, na hora da compra é interessante priorizar alguns rótulos que se destacam pela qualidade e preço bom.

Anote aí quais são, não esquecendo que este tipo de uva, quase que em 100% dos casos, serão cultivados no Chile:

  • Casas del Torqui Gran Reserva CarménèreR$88,00;
  • Santa Ema CarménèreR$55,00;
  • Root: 1 CarménèreR$46,00;
  • Casillero del Diablo CarménèreR$40,00;
  • Santa Helena Reservado CarménèreR$40,00;
  • Vinho Travessia Carménère (Concha y Toro)R$30,00.

Nota 1: Os preços foram coletados em Agosto de 2017.
Nota 2: O Brasil tem um único Carménère conhecido pela redação do Vem da Uva, o Fabian Carménère 2013.

É indispensável frisar que este tipo de vinho geralmente é indicado para o dia a dia. É uma uva com características mais comuns, sendo difícil encontrar um exemplar de maior complexidade. Porém, quando encontra-se um Carménère superior, é fácil impressionar-se.

Costumo dizer que o Carménère é o parceiro ideal para grandes eventos. Agrada a todos e têm exemplares de ótimo custo benefício no mercado. Portanto, vale levar em conta esta uva quando se quer servir maiores quantidades de vinho. Identifique aquelas mais agradáveis ao seu paladar, fator este que ajuda na hora da escolha.

Qual a taça ideal para tomar um Carménère?

Este tipo de uva não requer um modelo específico de taça. Você pode usar as de modelo Bordeux ou as taças mais comuns de vinho. O Carménère não é tão fiel quanto ao tipo de taça como outros vinhos.

Vale relembrar que a taça deve ser enchida da metade para baixo, estimulando a adequada apreciação do vinho.

O Carménère deverá ser servido em temperatura aproximada de 16º. Tente não resfriá-lo de forma rápida. Se precisar por na geladeira, escolha a cesta de legumes, mais baixa e deixe por mais tempo.

Agora me diga: O que você achou das características básicas de um vinho Carménère? Já ficou empolgado para ir comprar uma garrafa? Para obter ainda mais detalhes sobre este assunto, não deixe de ler um post especial sobre as curiosidades desta uva que escolheu o Chile como país ideal para ser cultivada.

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Sobre o Autor

Finalista da copa Vinhos do Brasil 2014 realizada pelo IBRAVIN. Colaborador da revista Clube do Champagne. Wine-junkie certificado. Passo meus dias entre vinhedos, escritórios e mesas de bar. Tin-tin!

  • Obrigado Agnello! Esse é o objetivo, algo básico pra quem está começando agora no mundo dos vinhos, ou para quem é conhecedor e gosta muito de Carménère!

  • agnello cerqueira

    Embora leigo, achei bastante didático o comentário. Aprendi coisas elementares que sobre as quaisnão tinha conhecimento. Parabéns.

  • Oi Renato!

    Não sei se eu compreendi muito bem o que você quis dizer. Talvez se você levar em conta a frase anterior que você não cita, quando eu digo que “a Carménère não tem a mesma delicadeza que a Merlot” e depois dizer que a Merlot é “rugosa”, aí sim, talvez tenha uma discrepância. Nessa frase, quando eu cito que a Merlot é mais delicada, eu quis me referir a um vinho mais “redondo” do que realmente “delicado”. Poderia ter posto de outra forma pra ficar mais claro, de fato.

    Mas vou tentar colocar em outras palavras pra ver se a gente se encontra, rs:

    A Merlot tem uma textura um pouco mais presente, você sente uma espécie de porosidade na língua. Ela cria uma sensação aveludada. Já a carménere não tem esse poder. Ela é uma uva, ainda que tânica, sem muita experiência tátil, que é o que a Merlot consegue fazer em boca. Digamos que na Merlot você consegue ter uma experiência física, tátil, você sente as características da uva fisicamente na sua boca, a tal porosidade, como se criasse uma espécie de “poeirinha” sobre a língua. A Carménère não tanto. Ela tem os taninos, que podem secar a língua (o que não deixa de ser uma experiência física), mas não tem essa sensação “rugosa” que eu cito na Merlot. Não deixa a língua “aveludada”. Essa era a intenção no texto…

    Consegui ser mais claro?

    Abraço!
    Marcos.

  • Renato Kioyuki Oiko

    Olá, Marcos!

    No seu texto “A Merlot traz uma textura mais encorpada, rugosa. Enquanto a Carménère não tem esse poder de dar uma textura “aveludada” ao vinho.” não há uma discrepância ao afirmar que o Merlot tem textura rugosa e depois dizer que o Carmenére não pode ter esta mesma textura do Merlot?
    Veja, sou completo ignorante na arte do vinho.

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