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Vinho Tinto Suave Tem Açúcar Adicionado?

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Vinho tinto suave tem açúcar? Sim. Já partiremos desse ponto para saber um pouco mais da diferença entre o vinho branco suave e o vinho branco seco. O nesmo serve para o tinto.

Desde que iniciamos as postagens aqui no blog, uma das perguntas que mais ouço, é sobre o famoso vinho branco ou tinto suave. Os “vinhos de garrafão”. E aproveitando o gancho, vou indicar essa postagem simples e útil pra quem tá começando; 12 Lições Básicas Sobre Vinhos Para Iniciantes. Vale a pena!

Vinho Suave Açucar

Eles são extremamente famosos, muita gente ainda os toma, e respondem por 90% da fabricação de vinhos do Brasil. Sejam secos ou suaves, esses vinhos simplistas ainda agradam boa parte do consumidor brasileiro.

Nós fizemos uma postagem explicando melhor a diferença entre o vinho fino e o vinho de mesa, e a diferença entre o vinho colonial e o vinho fino. Talvez você tenha interesse.

Vamos nos ater a diferença entre o vinho suave e o vinho seco, seja tinto ou branco

Esta é uma questão popular entre os iniciantes e curiosos no mundo do vinho. Qual a diferença, e como se faz o vinho tinto suave? Ou até mesmo o vinho branco suave.

Adição de Açúcar no VinhoPrimeiro, temos que entender o processo de transformação de açúcar em álcool. Para exemplificar, tomaremos como exemplo a cachaça.

Para você entender de forma fácil, a cachaça vem da produção da cana de açúcar. Nada mais é, do que a fermentação do açúcar até virar álcool.

Por um processo químico chamado de fermentação, todo açúcar tem potencial de virar álcool. É assim que o vinho é feito. A uva atinge uma maturação definida (ou seja, uma quantidade de açúcar), e então é colhida e entra para o processo de fermentação.

A adição de açúcar no vinho tinto suave e no vinho branco suave

Aqui a mágica começa, e é onde você precisa prestar atenção para entender a diferença entre o vinho de mesa suave e o vinho de mesa seco. Afinal de contas, você já sabe a quantidade infinita de tipos de vinhos que existem, certo?

Quase todo o açúcar presente na uva vai virar álcool. Ou seja, em quase 100% dos casos, todo vinho, naturalmente, é seco. No Vinho de Mesa Suave, após o processo de fermentação, há adição de açúcar ao vinho, depois que ele fica pronto. Simples assim.

Vinho Suave ou Vinho Seco

Para ficar suave, o vinho recebe açúcar. Exatamente como você já deve ter feito com aquele vinho seco que o seu avô serviu quando você ainda era adolescente. Se você nunca o fez, provavelmente conhece alguém que já fez.

Em tese, colocar uma colher de açúcar no vinho seco, o torna um vinho “suave”. Ou seja, no fundo, o vinho suave é vinho adoçado com açúcar.

O que a Legislação Brasileira diz para a quantidade limite de açucar em cada estilo de vinho: Seco, Demi-seco ou Suave

Vamos ver agora, quanto de açucar tem cada tipo desses vinhos, os secos, suaves e demi secos. A nossa legislação diz o seguinte:

  • I – seco – o que contiver até quatro gramas de glicose por litro;
  • II – demi-sec ou meio-seco – o que contiver superior a quatro e até vinte e cinco gramas de glicose por litro;
  • III – suave ou doce – o que contiver superior a vinte e cinco e até oitenta gramas de glicose por litro.

Existem exceções?

Pode ser que sim, mas elas são raríssimas atualmente, ou quase nulas. Em alguns casos, a uva pode ter uma maturação tão alta, ou seja, uma quantidade de açúcar tão alta, que parte se tornará álcool, e parte continuará açúcar (chamado de açúcar residual).

Nestes casos, teremos um Vinho de Mesa Suave, sem adição de açúcar. Tal fato é raro de acontecer, pois conseguir alcançar uma maturação com nível de açúcar alto é tarefa difícil.

A uva atinge um nível de maturação pleno antes de iniciar o processo de apodrecimento, porém, nem sempre esta maturação plena é suficiente para ter o açúcar necessário para formar um, as vezes, vinho branco suave “naturalmente”.

Além disso, para o produtor, vale  a pena colher as uvas antes de deixá-la muito madura, afinal, quanto mais tempo no vinhedo, mais riscos de perder a produção com fenômenos naturais, como granizo ou chuvas fortes.

Os vinhos finos chamados de sobremesa ou licorosos passam por processo parecido. São extremamente doce e não tem adição de açúcar. O famoso vinho do Porto é um desses casos.

Você já bebeu um vinho de garrafão?

Sangue de Boi

Este é um vinho de mesa – ou vinho colonial. Aos que bebem vinho fino, o Sangue de Boi pode aparecer em conversas, invariavelmente, em tom de piada. Mas ele é um dos grandes precursores do vinho no país. O rótulo começou a ser vendido pela Cooperativa Aurora ainda em 1950, ficando popular em sua versão de 5 litros.

No final dos anos 1890, o garrafão de vinho de 5 litros tinha virado uma realidade e item obrigatório na mesa de todas as famílias de origem italiana no sul do país, tornando o consumo do vinho no Brasil, algo popular.

A uva utilizada era uma cruza entre a Vitis Labrusca e a Vitis Vinífera. A variedade era chamada de Isabel. Foi criada nos EUA ainda em 1800. Dava uma boa qualidade, resistência, e principalmente, produtividade. Este é um vinho que ficou famoso com adição de açúcar.

Os vinhos coloniais ou de mesa são, em sua maioria, açucarados. E sim, tem adição de açúcar. Por isso, se você estiver procurando um vinho pelas suas características saudáveis e benefício a saúde, fique longe dos vinhos suaves.

Ficou com dúvidas? Pode falar aí embaixo, nos comentários!

ATUALIZAÇÃO:
A leitora Maiane Moura encontrou pra gente um vinho português que diz ser suave. Levemente adocicado, apenas com açúcar da própria uva. Encontramos aqui por R$ 22 reais a garrafa. Ótimo valor! Feito das uvas Aragonez, Castelão e Trincadeira.

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  • Oi Marcos, minha família está começando a produzir vinho, esse comum de uvas Isabel, Terci e Niágaras. No começos fazíamos seco, mas como tinha pouca saída e mais pedidos por suave, a gente optou por tentar fazer o semi seco para tentar agradar ambos paladares. Quando fomos fazer a última transfega adicionamos o açúcar. Na hora de engarrafar ficou delicioso, sem exagero. Porém após 1 mês mais ou menos as garrafas começaram estourar a rolha, perdemos muitas. Podia notar q havia gás, como se fosse um refrigerante. Poderia me ajudar dando alguma dica? Muito obrigado.

    Responder
    • Oi Thomas!

      Vamos lá, eu não sou a *melhor* pessoa pra te responder essa pergunta, até porque a gente teria que analisar melhor a situação, como por exemplo a temperatura e o local onde elas estavam armazenadas. Mas se eu tivesse que dar um palpite rápido, eu diria com quase certeza que no momento dessa trasfega vocês tiveram uma entrada de oxigênio considerável e saída de co2, as leveduras (que pelo que entendi foram selvagem, naturais) ainda estavam presentes e ativas em quantidade considerável, quando vocês adicionaram o açucar, essa levedura que ainda estava no vinho iniciou um novo processo de fermentação, uma refermentação em garrafa. Essa fermentação libera dioxido de carbono, gás, que provavelmente levou a explosão das rolhas. Basicamente você recriou a “invenção” do vinho espumante, que foi acidental, quando os vinhos viajavam por muito tempo em barris (ambiente fácil pra proliferação de levedura selvagem, material poroso, como a rolha). Pelo pouco que você explicou, as chances dessa refermentação ter acontecido e ter sido a causa desse acidente são grandes. E pra ter chegado a esse ponto, a quantidade de levedura ativa ainda na garrafa era consideravel, ou a variedade de levedura ou bactérias diversas que ajudam no processo. Existem várias formas, na produção de vinho fino e industrial, de encerrar esse processo das leveduras, e se elas forem leveduras selecionadas, como geralmente é o caso em vinícolas, elas basicamente param sozinhas em uma certa graduação alcoolica, mas vou tentar me ater ao teu caso.

      Mas o engraçado, pra mim, é que a tua situação tem tantas, mas tantas variáveis que podem ter levado a esse dsfechhoe, que acho que não consigo citar todas aqui. Outra coisa que deve ter ajudado: durante essa trasfega vocês liberaram a pressão do CO2, provavelmente, que geralmente é um grande aliado pra “encerrar” a atividade das leveduras. Sem contar nas dezenas de variantes de leveduras e bactérias que podem ter ajudado no processo, porque algumas são menos, outras mais resistentes ao álcool que vai aumentando de volume durante a fermentação. (uma dúvida que fiquei curioso aqui, enquanto escrevo, é se vocês chegaram a medir a graduação alcoolica quando voces engarrafaram, e se sim, de quanto era). Continuando, essas leveduras podem vir natural do vinhedo (por isso muita chuva é perigoso nnos dias pré vindima/colheira, por exemplo), pode ter vindo dos equipamentos que vocês usaram, até mesmo das mãos na hora do manuseio. Geralmente, as leveduras selvagens mais comuns não conseguem sobreviver acima de 5% de volume de álcool, por isso muita gente que quer usar as selvagens no vinho fino, pra adicionar “complexidade”, tambem usa um “complemento” de leveduras selecionadas pra continuar o trabalho depois dos 5%. Essa parte de leveduras é um assunto que dá pano pra manga. Mas basicamente as grandes vinícolas preferem as selecionadas por conhecerem exatamente o comportamento delas: quando fermentam e quando cessam. Já quando você trabalhada com selvagens, é roleta russa. Tudo pode fazer parte dessa grande mistura de leveduras que está ali no mosto, e que vai carregando pra dentro do produto final no processo, como a passagem por qualquer tipo de prensa que possa ter esses organismos vivos que causam fermentação.

      Mas no resumo, Thomas, eu te diria quase que com certeza que as danadas estavam só esperando um ambiente mais quente pra entrar em ação, você jogou comidinha pra elas (açucar), e elas fizeram a festa dentro da garrafa. Eu fiquei curioso no perfil aromático desse vinho pós exploão das rolhas, provavel que meio acetonado, mesmo a gente falando de vinho “colonial”.

      Pra resumir, olha só a complexidade que é trabalhar com leveduras selvagens: você fica a mercê de um punhado de variáveis como temperatura, concentração de açúcar e álcool, hidratação, disponibilidade de nutrientes e oxigênio no mosto, pH, acidez volátil, dióxido de enxofre, e por aí vai. E é sempre uma tensão, porque como o ambiente delas na produção caseira não é controlado, você pode ter de tudo, tanto uma refermentação como a sua, quanto o encerramento prematuro das leveduras, parando a fermentação do teu vinho no meio do caminho.

      Como te disse, eu não tenho formação em química ou enologia, mas acredito muito que se a gente tivesse alguém com essa competência pra ajudar aqui, a gente ia chegar em conclusão parecida com o que tentei, de forma limitada pelo meu conhecimento, te explicar… Mas espero ter, pelo menos, te lançado algumas hipóteses que você pode pensar e até dar uma pesquisada sobre, pra tentar reduzir esses riscos de algo dar errado numa próxima tentativa… E sim, com certeza a maior demanda de vinho dessa categoria vai ser o suave, como voces perceberam na hora da relação comercial.

      No site da Embrapa você encontra muito conteúdo técnico legal. E se você gosta do assunto, acho legal você dar uma atenção na parte inicial desse processo todo: a vinha/videira. Tem um livro muito bom que trata não só das vitis vinifera, mas também do cultivo de labruscas que dá uma luz em tudo o que eu te falei, mas no estágio inicial, lá na fruta. Porque quanto a gente fala do processo de fermentação alcoolica, ele é ditado pela qualidade do fruto que você usou como matéria prima. O livro é esse: “Produção de Uvas: Para vinho, suco e mesa” do Eduardo Giovanini. Ele tem um chamado Manual do Viticultor que talvez complemente o leque de conhecimento que pode te ajudar…

      Espero não ter complicado muito, mas é que esse é um assunto que é difícil simplificar mais que isso, a coisa é técnica mesmo.
      Qualquer coisa podes rebater que a gente continua a conversa!

      Abração Thomas!
      Marcos.

      Responder
  • NO Brasil, usamos esse vinho adulterado, que não é vinho. Em portugal, o vinho do porto usa açucar de uva e aguardente da própria uva, mas, mesmo assim, o vinho do porto não é vinho, é licor.

    Responder
  • Daniele Fernandes
    26 de novembro de 2020 13:27

    Também temos o nacional vinho Natutelle da vinícola Casa Valduga. Suave sem adição de açúcar. Muito bom.

    Responder
  • Daniele Fernandes
    26 de novembro de 2020 13:24

    Realmente
    O vinho Olaria é uma vinho com uma leve doçura (talvez por conta das uvas escolhidas na elaboração e da fermentação) muito agradável e sofisticado.

    Responder
  • Pablo Daniel Legname
    24 de outubro de 2020 22:07

    Adorei o artigo. Achava que todos os vinhos com adição de açúcar não eram de boa qualidade. Sou da Argentina e sempre preferi o branco por ser mais suave.

    Responder
  • Renato Gomes Tapado
    7 de outubro de 2020 19:03

    Prezado Marcos. Faço cerveja e fiquei com uma dúvida em relação ao açúcar. Quando este é adicionado ao vinho depois da fermentação, não há o risco de a levedura residual no vinho fazer uma nova fermentação com este açúcar? (Assim, faço para carbonatar minha cerveja). Ou antes de adicionar o açúcar o fabricante tem um meio de retirar a levedura em suspensão?…
    Obrigado!

    Responder
  • Estou ferrada! Só gosto de vinho suave. 😂

    Responder
  • Estou começando com o uso de vinho seco. Tenho muitas dúvidas na hora de comprar, pois tem muitas marcas … como fazer uma seleção?
    Visto q tem preços bem altos…

    Responder
  • Elias Antônio Fernandes
    1 de julho de 2020 20:40

    BOA NOITE MARCOS , PARABÉNS POR ESSE BELO COMENTÁRIO . EU USO O GALIOTO RASCANTE .

    Responder
  • Ganhei um vinho seco, posso colocar açúcar ?

    Responder
    • Poder, pode. Mas é sempre bom lembrar que açúcar é um inimigo da saúde. Por isso que o vinho seco é o escolhido pelos cardiologistas quando indicado para consumo moderado pra evitar algumas doenças cardiovasculares…

      Marcos.

      Responder
  • zelinda saraiva arato
    15 de junho de 2020 11:45

    Amo vinho.
    Meu avô português comprava em barril e fazíamos uma festa para engarrafar.
    As crianças já começavam dias ante lavando as garrafas e secando ao sol.
    No dia era uma festa. Os homens engarrafavam e lacravam as rolhas e nós, crianças, colavamos os rótulos. Meu pai e tio Veli tocavam violão e cantavam músicas castelhanas. As mulheres cuidavam da comida.
    Saudades imensas.

    Responder
  • Muito legal, eu tinha dúvidas sobre o açúcar no vinho. Não tenho mais.

    Responder
  • Mauro Luís Moreschi
    16 de maio de 2020 10:57

    Bom dia minha dúvida se depois de fermentado eu colocar mais açúcar para deixar o vinho doce , este açúcar não vai fermentar e deixar o vinho com mais álcool e explodir as garrafas.

    Responder
  • Juliano Scochi
    14 de abril de 2020 19:04

    Fiz um vinhos seco porém quando acrescentei o açúcar e engarrafei no momento focou suave após 1senana voltou a fermentar oque fazer

    Responder
  • Existe algum vinho seco no Brasil que não contém esses 4g de açúcar?
    Ou obrigatoriamente os produtores adicionam esse açúcar?

    Responder
    • Laernilza,

      Não tenho como te dizer com certeza. Porque são muitas as variáveis que podem levar o vinho a precisar dessa adição de açúcar ou não. Acredito eu que em safras espetaculares a uva consiga chegar em uma maturação tão boa que possa servir para deixar o vinho suave e também para que o açúcar vire álcool na medida certa. Mas vou ficar te devendo essa. É algo que um enólogo conseguiria te responder melhor.

      Marcos Marcon
      Editor

      Responder
  • Depois da fermentação do vinho, quanto açúcar devo acrescentar em 100 l para torná-lo suave?

    Responder
  • comecei fazer vinho pro meu consumo mas nunca coloquei açúcar , só o açúcar da uva mesmo, 60% de uva bordô e 40% uva rosada.

    Responder
  • Gostei muito da explicação. Apesar de não ter visto uma matéria desta antes eu já tinha a percepção de que o vinho suave é adoçado, isto porque sei que no processo de fermentação só se produz ácido e álcool com mutação de matéria e de sabor.

    Responder
    • Isso aí, David.

      Inclusive na produção de vinhos finos, as vezes a adição de açucar é feita quando a maturação da uva não alcançou o desejado. É um processo bastante comum, chama chaptalização. Em breve vou escrever uma matéria sobre esse assunto.

      Marcos.

      Responder
  • Adoro vinho e recentemente fui presenteado com uma garrafa de vinho do Porto, então comecei a estudar sobre vinhos e vi que é um universo muito extenso e que na verdade não conheço nada sobre vinhos, poderia me indicar algum curso para me aprofundar mais

    Responder
  • Boa tarde, Marcos Marcon.
    Poderia indicar alguns nome de vinho verdadeiramente suave doce? Estou iniciando no mundo dos vinhos, mas quero esse docinhos (tipo aqueles que lembram o vinha da santa ceia).
    Poderia me indicar alguns nomes?

    Responder
  • Olá!! Sou um produtor de vinho de mesa (colonial) e sempre fiz somente para meu consumo e de minha família. Aprendi a fazer com meu Pai e irmãos, além da colaboração de alguns vizinhos. Tenho recebido pedidos de alguns familiares e amigos para fazer um vinho suave, porém nunca fiz e não tenho certeza de com o fazer. Lendo a matéria, entendi que basta adicionar açúcar no vinho depois de pronto, ou quando ainda em sua maturação. É isso mesmo? Poderia me informar quanto de açúcar por litro deve ser colocado?

    Responder
  • quantas gramas de açúcar por litro para deixar um vinho suave

    Responder
  • Como contribuição, deixo aqui um texto esclarecedor sobre os vinhos de sobremesa:

    Vinho de sobremesa
    A arte de um vinho de sobremesa é muito mais complexa do que parece. Não se trata de colocar açúcar na bebida, senão de retirar a doçura natural da uva.

    No Brasil, é comum não beber vinho no final do jantar, porque muita gente não sabe que ele pode ser um excelente parceiro da sobremesa. Muitas pessoas, aliás, não conhecem o vinho de sobremesa, uma bebida especialmente elaborada para essa ocasião. Mais doces do que os demais, eles podem ser tintos, brancos, rosés ou espumantes. O que caracteriza um vinho de sobremesa é sua doçura, que é conseguida interrompendo o processo de transformação do açúcar em álcool. Diferentemente dos suaves, eles não recebem adição de açúcar depois da vinificação, contando apenas com o açúcar das próprias uvas.

    A variedade de vinhos de sobremesa é grande, por isso escolher não é muito fácil, mesmo para quem é expert. No entanto, duas regras básicas podem te direcionar. Primeira: ele deve ser mais doce do que o doce servido, ou, pelo menos, um não deve dominar o sabor do outro. Ou seja, ao serem consumidos juntos, um deve valorizar o outro, complementando-se perfeitamente. Segunda: faça a harmonização reconhecendo o elemento principal do vinho e da sobremesa. Por exemplo, em um doce de abacaxi, o vinho de sobremesa deve ter aromas cítricos.

    Engana-se quem pensa que o vinho de sobremesa, por ser doce, não é valorizado: há quem os considere um verdadeiro néctar dos deuses. Na maior parte das vezes é produzido com uvas brancas, como a Riesling, na Alemanha, e a Muscat e a Sauternes, na França. O Sauternes, inclusive, é um dos vinhos mais prestigiados e valorizados que existem. Hungria, Itália, Chile, Brasil e Austrália completam o quadro dos maiores produtores de vinho de sobremesa.

    Há três formas de se conseguir o adocicado especial dos vinhos de sobremesa. Primeiramente, temos a colheita tardia. Como o nome já diz, esse processo constitui em só colher as uvas após o estágio pleno de maturação, quando a uva começa a desidratar no pé e a concentrar açúcar. Produzido através desse processo, o francês Banyuls é um vinho de sobremesa tinto adequado para acompanhar chocolate, por exemplo.

    Outro processo é a passificação. Nesse caso, as uvas são colhidas no tempo certo, mas depois são desidratadas em esteiras, ficando parecidas com uvas passas, com alta concentração de açúcar. O método é muito utilizado em regiões da Itália, como Vêneto e Sicília.

    O terceiro modo é a vinificação pelo fungo Botrytis Cineria. Esse fungo ataca naturalmente a uva, provocando a chamada “podridão nobre”, que desidrata a fruta através da casca. Vinhos de sobremesa feitos com esse processo são considerados os mais sofisticados do mundo, como o mítico Sauternes de Bordeaux. Esse método é usado em regiões da França, Hungria e Áustria.”

    Responder
  • Mas esse açúcar adicionado é o açúcar branco refinado de mesa??ou de algum processo excedente da uva?

    Responder
    • Oi Pri!

      Infelizmente, geralmente é o açúcar refinado que conhecemos bem! E por sinal, faz mal pra saúde de consumido com qualquer outro alimento, pelo processo químico que ele passa para ser refinado. É uma prática comum em vinhos coloniais, infelizmente, para torná-os “suaves”. Não é tão diferente de quando aquela tia coloca uma colher de açucar no vinho seco pra deixar ele mais doce e “bebível”…

      Responder
  • Metabissulfito no mosto e na trnsfega é interessante?

    Responder
  • Caros Senhores, pediria gentilmente uma informação. Me tornei diabético e o médico me aconselhou a tomar meio copo de vinho por dia, mas lendo as especificações sobre os vinhos percebo que todos tem açúcar. Na opinião e conhecimento de vocês qual é o vinho brasileiro ( faço questão que seja nosso, pois acredito no Brasil) qual é o vinho que tem a menor quantidade de açúcar em seu conteúdo e que seja nacional , Muito obrigado pela ajuda

    Responder
    • Oi Antonio!

      É importante seguir as orientações médicas. Dito isso, não há evidentemente nenhum estudo científico que comprove esses benefícios, mas que sugerem que ele existe. É importante deixar de fora os vinhos demi-sec e os vinhos suaves. Procure por vinhos finos secos. A nossa legislação diz o seguinte:

      I – seco – o que contiver até quatro gramas de glicose por litro;
      II – demi-sec ou meio-seco – o que contiver superior a quatro e até vinte e cinco gramas de glicose por litro; ou
      III – suave ou doce – o que contiver superior a vinte e cinco e até oitenta gramas de glicose por litro.

      Portanto, é importante pra sua saúde que você consuma vinhos na primeira opção. Nós temos infindáveis opções de vinhos finos secos brasileiros. Na nossa seção de avaliação, a grande maioria são nacionais. Assim como você, nós também damos preferência para nossos vinhos. O Brasil tem um potencial incrível. https://www.vemdauva.com.br/avaliados

      Responder
  • Geris Andrei Spadari
    3 de julho de 2017 23:11

    Olá, sou um amante do vinho e estou produzindo em casa o vinho que consumo, mas na minha região só tem uva de mesa e eu gostaria muito de produzir um cabernet, merlot ou malbec, alguém saberia me informar se consigo algum fornecedor dessas uvas no RS, não precisa ser muito, é só para consumo da família, sem pretenções de comercializar. Também não é o interesse em baratear, mas sim pelo prazer de consumir algo que eu mesmo fabricarei.

    Responder
  • Onévio João Colombo
    22 de junho de 2017 15:10

    Talvez já vocês tenham informado aos consumidores que os vinhos demi-sec ou meio seco também levam adição de açúcar.
    Nós viticultores brasileiros somos obrigados a informar no rótulo que o vinho é meio seco ou seco, conforme a lei brasileira, que é muito bom ao consumidor. O problema que enfrentamos é diversos vinhos importados e muito consumidos no Brasil são meio seco, porém o rótulo não dá esta informação, assim o consumidor considera que vinhos Chilenos, Italianos, etc sejam melhores devido ao clima, terroa, etc, sem se ater a este detalhe.
    Contra rótulos poucos leem.

    Responder
    • Oi Onévio! Te enviei um e-mail pra gente conversar um pouco melhor. Quem sabes me ajudas a fazer um outro artigo sobre a questão. Eu sempre achei que o açúcar do demi-sec nacional deveria vir da fermentação, como açúcar residual. Conversamos no e-mail! Abraço e obrigado por participar do debate!!

      Marcos.

      Responder
    • Mucio coutinho de jesus
      16 de maio de 2019 18:22

      Foi uma duvida gratificante. Entao nao existe. Vinho suave sem ser adoçicado.

      Responder
      • Marcos Marcon
        17 de maio de 2019 01:33

        Revendo agora a colocação do Onévio, acho que é isso aí mesmo Mucio, nenhum demi-sec ou semi seco não teria adição de açúcar.

        É um debate até interessante, porque a adição de açucar começa já no início do processo, muitas vezes a uva não tem açucar suficiente para produzir o volume de álcool necessário, e o enólogo é obrigado a adicionar açúcar que vai fermentar e se tornar álcool, em um processo chamado chapitalização, algo muito comum na indústria. Claro, nesse caso nós não estaríamos consumindo esse açúcar em forma de açúcar e sim em forma de álcool. Mas é interessante perceber que o açúcar pode entrar em vários processos durante a produção, não?

        E sim, já bebi vinhos chilenos e argentinos extremamente doces que, pra mim, seriam demi, embora eu não tenha enviado pra análise de quantas gramas de açúcar por litro o vinho tinha, mas é muito perceptível. Assim como o demi-sec nacional da Aurora, Marcus James, não é tão doce quanto eu achei que seria.

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