O vinho na história do mundo (para 8 civilizações antigas)

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Conhecer e gostar de vinho, quase sempre, vai significar aprender um pouco mais sobre história e geografia, mesmo sem perceber. As três coisas andam juntas, sempre. Pode-se dizer que o vinho tem acompanhado a história da humanidade, de certa forma. Dependendo da época, desempenha papel social ou ritualístico diferente.

Nesta postagem, vamos ver algo diferente. O significado do vinho para 8 civilizações diferentes através do tempo.

Por vezes, o vinho aparece como um produto simples e de uso abundante e popular. Outras vezes aparece como um produto nobre e reservado a ocasiões especiais. Quanto ao seu modo de consumo, ao longo da história da humanidade, aparece nas mais variadas formas.

Desde diluído em água, para não embriagar; ou com cal, para suavizá-lo (tirar a acidez); com sal, caso do vinho conhecido como “vinoso mar”; com frutas (alô Sangria), e ao natural, puro.

Você já percebeu que vinho sempre está ligado a evolução do local e cultural? Por isso digo que vinho, história e geografia sempre andam juntos. Você vai entender bem se leu sobre terroir nesta postagem.

O vinho em rituais sacros

O vinho aparece também como componente principal dos rituais sacros. Principalmente em missas, e em ocasiões especiais, como o casamento. Muitas vezes o vinho pode também ser entendido como um bem que simboliza uma determinada civilização ou localidade.

Pode-se dizer que estas variações se dão em decorrência do momento histórico de seu consumo. Também das diferenças de tradições e costumes de uma determinada sociedade, ou mesmo da classe social onde está inserido.

Vamos conferir algumas dessas situações:

1. Origem do vinho

As vinhas já eram plantadas desde pelo menos 7.000 a 5.000 anos a.C. Porém, deste período o que se tem são apenas informações obtidas a partir de restos de vinhas encontradas em escavações ou em ânforas.

Algumas delas, que conseguiram não se perder no tempo, se encontram armazenadas em museus. A garrafa ao lado, tem aproximadamente 1700 anos de idade, e está exposta no Museu Histórico de Pfalz, na Alemanha.

Seu conteúdo foi examinado originalmente apenas na época da Primeira Guerra Mundial. Até hoje ela nunca foi aberta por uma segunda vez.

2. Vinho no Antigo Egito

No Antigo Egito, no período do Antigo Império, o vinho foi elemento fundamental para os grandes banquetes promovidos pelas classes sociais mais elevadas.

Já neste período o vinho era apresentado de forma ritualística sob a orientação de uma pessoa que era conhecida como expert de vinho. Fabricavam ânforas e canecas específicas para o consumo do mesmo. Geralmente as vinhas eram oferecidas aos faraós que levavam mudas para suas tumbas.

CURIOSIDADE Os egípcios foram os primeiros a iniciarem o ritual de marcar as safras em suas garrafas, assim como localização do vinhedo de origem daquele vinho.

Nas tumbas dos faraós foram encontradas pinturas retratando com detalhes várias etapas da elaboração do vinho.

Algumas delas como:

  • Colheita da uva;
  • Prensagem;
  • Fermentação.

Também são vistas cenas mostrando como os vinhos eram bebidos: em taças ou em jarras, através de canudos, em um ambiente festivo, elegante, algumas vezes, licencioso.

3. Vinho para o povo Hebraico

Já para o povo hebraico o vinho era um elemento de prioridade dos rituais religiosos. Seu consumo no meio comum era orientado pelas leis da bíblia. Isso significa que os hebraicos estavam inclinados à moderação e muitas vezes o vinho chegou a sofrer sérias restrições.

4. Para os Fenícios

Para os fenícios, por ser o vinho um produto de grande abundância e por estarem localizados em terras tidas como férteis, o produto era de alcance tanto dos nobres quanto das classes menos abastadas.

Existem indícios de que os fenícios já produziam vinhos desde o séc. XIV. Desde o terceiro milênio existiam lagares de uva em Ugarito: os textos administrativos dos séculos XIV e XIII a.C. falam de grandes vinhas cultivadas em terraços.

5. Vinho em Cartago, norte da África

Já em Cartago, atual norte da África, o vinho aparece como produto de fundamental importância para as sociedades.

Ainda assim, os vinhos eram regidos por leis reguladoras quanto ao consumo e qualidade, pois alguns vinhos neste período ainda eram acrescidos de cal.

6. Vinho para os Gregos

Do mundo grego, as evidências do vinho aparecem sempre associadas à mitologia, que tem como representante maior Dionísio, que é considerado o deus do vinho.

Daí originam-se inúmeras lendas. Aqui o vinho aparece associado a “estados de embriaguez”, condição esta para aproximação com o mundo divino.

Porém também aqui o vinho sofre sanções e regulamentos com relação ao seu consumo. Regulamentos estes que tinham como objetivo a preservação do status e a diferenciação do “homem civilizado”. O vinho como forma de diferenciação do povo greco-romano dos povos bárbaros.

Isto indica que neste período começam a existir regras de consumo e mesmo a produção orientada.

Consumo moderado

A orientação quanto ao consumo e produção do vinho é uma superação da natureza e, portanto, torna o homem deste período superior aos bárbaros. Esta distinção se dá principalmente na forma de consumo do vinho, que passa a sofrer adição de água para seu consumo.

Assim como a regulação com relação à quantidade, definição de ocasiões específicas para seu consumo e quem são os que podem ou não fazer uso do vinho, caso do vinho ofertado nos simposiums.

Nestas reuniões o vinho era sempre ofertado após as refeições e somente participavam destas reuniões os políticos ou filósofos, que precisavam então do vinho para a libertação da mente. O vinho aparece como elemento de união de pessoas, porém também como distinção cultural.

7. Vinho na Idade Média

Na Idade Média o vinho aparece representado principalmente pelos mosteiros, que o produziam tanto para consumo próprio como para os que faziam uso de sua hospitalidade.

Ao longo da história, o vinho aparece em vários momentos, ora como um produto sagrado, ora como um produto associado a exageros, a estados de embriaguez.

Caso do vinho consumido e ofertado pelo deus Dionísio na mitologia grega; ora santificado, caso do vinho consumido pela igreja, ora como sinônimo de diferenciação e status, caso do vinho consumido pelos nobres ou intelectuais.

8. Vinho para franceses e europeus

Apesar disto, ainda nos dias de hoje pode-se encontrar o vinho como sinônimo de identidade de um povo, caso do vinho para o povo francês, onde ainda hoje apresenta-se como expressão de nacionalidade que, por conseguinte, estende-se a mesa de todo o cidadão francês.

Se analisarmos com calma, o que distingue os franceses de outros povos é que os povos bebem para se embriagar. Já o para o povo francês, a embriaguez é somente uma conseqüência. Visto que o vinho é tido como alimento.

Para os franceses o vinho também aparece associado ao descanso, caso do vinho apresentado nas mesas ao lado do pão, que por sua vez representa a nutrição.

Neste caso, podemos reforçar o discurso do “saber beber” do francês, que usa de motivos outros para o consumo do vinho.

Conclusão

Seguramente, numa busca mais apurada poderiam ser encontrados sinais de relação de significância do vinho com outros tantos povos. Principalmente outros povos europeus, entendidos como os povos do “velho mundo”, que não são só os franceses, mas sim espanhóis, portugueses, entre outros.

Sobre o Autor

Finalista da copa Vinhos do Brasil 2014 realizada pelo IBRAVIN. Colaborador da revista Clube do Champagne. Wine-junkie certificado. Passo meus dias entre vinhedos, escritórios e mesas de bar. Tin-tin!

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