Visita a Vinícola Cainelli – Especial Serra Gaúcha 2017

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Nossa primeira parada na região de Bento Gonçalves, foi na Vinícola Cainelli. Fomos recebidos por um sorridente Roberto Jr., enólogo à frente da vinícola familiar na região de Tuiuty.

Dica: a vinícola não fica no Vale dos Vinhedos, mas vale cada minuto gasto para conhecê-la. Tente combinar a ida com a Salton, que também fica fora do Vale dos Vinhedos e próxima da Cainelli.

A história é legal, porque inicialmente a Cainelli nem estava no nosso roteiro. Dias antes da viagem, a Anna, do Vinho Todo Dia, nos indicou a vinícola, já que haveria um evento especial de colheita no sábado, dia da nossa chegada à Bento Gonçalves. Aceitamos a sugestão e fomos – felizmente!

A experiência Cainelli

Fomos convidados a participar do principal programa da Vinícola durante a vindima, que é a colheita, merendim e pisa das uvas. Pensa no que vem por aí?

Em frente ao casarão que data de 1929, dona Bete inicia a tarde gostosa que está prestes a começar. É neste momento que somos apresentados a história da família e da vinícola, que já ficou fechada por alguns anos na década de 60.

Bete explica que, assim como os trabalhadores da colheita antigamente, sairíamos apenas com o café preto. O merendim seria servido mais tarde, no próprio vinhedo. E assim foi.

Hora de trabalhar de chapéu de palha

Já na sequência, Roberto Cainelli Júnior, responsável pela elaboração dos vinhos da família, nos guia através de uma clareira em meio à mata nativa, até o vinhedo. No caminho, frases motivacionais inspiram os trabalhadores do dia:

E assim seguimos a festa.

O clima é gostoso e descontraído, e você realmente se sente bem-vindo à família Cainelli

Sim, nesse trabalho dá vontade de bater ponto todos os dias. E a gente usa a palavra festa, porque durante todo o passeio, sempre tem uma música rolando, um violão sendo tocado ou uma piada sendo feita.

No vinhedo a colheita começa com música italiana ao vivo. Não demora muito para o vinho chegar, servido à todos. E depois do vinho, chega o famoso merendim.

Dona Bete chega bem acompanhada, com um batalhão de avós – todas muito queridas. Se como no meu caso, você for descendente de Italiano, com certeza vai se sentir em casa. Deu pra matar um pouco de saudade das “nonas”. E elas chegam com toalhas xadrez, cantoria, sanfona e muita, muita comida!

O merendim

É como eles chamavam esse lanche da manhã. Em época de safra, eles acordavam logo ao clarear do sol, tomavam uma xícara de café preto e iam para a labuta. Só no meio da manhã é que o reforço chegava.

As nonas trouxeram a polenta, as tortas, pães, geleias. Tudo de fabricação caseira, além de queijo e salame. E como estamos em uma vinícola, o vinho não faltava.

Dá uma espiada nessa cantoria:

O Sr. Roberto pai, com seus garrafões de vinho, percorria toda a mesa servindo vinho à todos, enquanto dona Bete contava para alguns visitantes que encomendava boa parte da comida ali servida de cozinheiras locais, gente conhecida da família.

Era visível a felicidade dela em poder contar com a comunidade – o senso de família, aqui, vai além do sobrenome. E todo mundo quer participar:

E agora você imagine o ambiente, parreiral, mesas com aquelas toalhas xadrez, comida, vinho, as nonas cantando as músicas italianas como nas novelas… Você parece flutuar! Os Cainelli conseguiram montar algo que beira o cenográfico. Por quê não dizer, mágico?

O Sr. Nei é um atrativo a parte

Mestre de cerimônias, o Sr. Nei é, naturalmente, um entretainer. Nasceu pra fazer os outros se divertirem. Extremamente carismático, está sempre disposto a te tirar um sorriso do rosto. Conta causos e escolhe a “rainha da Colheita”. Também é o motorista do tuc-tuc, o veículo que traz os visitantes do vinhedo.

A partir daí, você é levado à pisa das uvas. Obviamente, é uma diversão só. O Sr. Nei leva o visitante até a tina (recipiente onde a uva é pisada), para iniciar o ritual.

A imagem, sempre marcante para qualquer pessoa, não só para amantes do vinho, fica registrada em foto. Seu Nei faz todos os preparativos para ótimas poses!

O incrível museu

Outro detalhe pensado pela família Cainelli, é o museu! Para quem quer imaginar como era viver em tempos antigos na Serra Gaúcha, a atração é um prato cheio.

A casa, com móveis da época, cômodos e objetos pessoais, parece nos levar de volta àqueles tempos. E se você tem alguém na família que viveu no interior, ou descendia de italianos, o espaço é comovente.

Os objetos do dia-a-dia foram todos doados pelos vizinhos da Cainelli e comunidade. O que faz o acervo do museu ficar ainda mais legal. Os objetos tem descrição e contam a origem de cada item.

Vamos ao que interessa: os Vinhos Cainelli

O enólogo da família, representante da 5ª geração, nos convidou a conhecer alguns de seus vinhos. O querido Roberto Cainelli Jr.. Responsável pelos 30 mil litros produzidos pela Cainelli anualmente, vindos dos 6 hectares de vinhedos da vinícola.

A primeira surpresa se deu já no vinhedo, ao conhecermos o vinho de mesa seco da uva Lorena, um vinho bastante agradável, leve e refrescante. Não deve nada à alguns vinhos ligeiros feitos com uvas finas.

Em seguida, conhecemos o Espumante Brut 100% de uvas Prosecco. Um espumante redondo, bastante leve, muito refrescante e extremamente aromático. A intensidade do aroma se destaca, chamando atenção do consumidor. É o melhor Prosecco nacional que já experimentei até o momento (para ser honesto, deve-se levar em conta que não há muitas opções no mercado).

Degustamos os tintos secos também, das variedades Merlot e Cabernet Sauvignon. O Merlot passa brevemente por barricas de carvalho. Para ser exato, 3 meses. Já o Cabernet Sauvignon, matura apenas em inox, preservando os aromas frutados no vinho. Possuem uma acidez muito interessante, e nada foge do trilho. Tudo muito equilibrado. Desce redondo.

Virei fã do Merlot da Cainelli, por ter o melhor custo-benefício de toda a viagem. Aliás, falaremos mais disso em outra postagem.

São vinhos de médio corpo, que podem cumprir a tarefa de ser aquele vinho do dia-a-dia. E o melhor de tudo: o custo-benefício. O Merlot, na loja da vinícola, estava abaixo de R$ 30.

O vinho mais bem pontuado na Grande Prova de Vinhos do Brasil

Os vinhos de maior destaque da vinícola, são os da linha Origem 1929, que presta uma homenagem aos fundadores da Vinícola.

O vinho tinto desta linha, é da variedade Marselan, que apresenta maior complexidade. Este vinho matura 8 meses em barris de carvalho, e a safra 2011 foi eleita campeã na Grande Prova de Vinhos do Brasil, com medalha de ouro, além de ser o mais bem pontuado vinho nacional na premiação.

Era visível nos olhos do Roberto Jr., a satisfação em contar sobre a elaboração, a inspiração e o resultado que esse vinho atingiu.

Na oportunidade, não pudemos degustar o rótulo, mas trouxemos uma garrafa pra casa da safra 2012. Em breve postaremos o mesmo em nossas avaliações.

Por fim, degustamos o Moscatel da vinícola, brindando a experiência única que tivemos.

Aprendizado

E durante toda a degustação, fomos tendo uma aula de terroirs da Serra Gaúcha, de técnicas de vinificação, sobre o comportamento de novas variedades nos vinhedos e expectativas da safra 2017.

Ficou claro que a família Cainelli recebe os visitantes e elabora os vinhos com muita dedicação, e pelo amor ao que faz.

A Cainelli se tornou parada obrigatória em qualquer roteiro turístico pela Serra Gaúcha.

Obrigado a toda a família pela calorosa recepção. Grazzie!

E você? Já visitou a Cainelli? Está montando seu roteiro? Conta pra gente o que você achou!

Colaborou: Marcos Marcon (marcos@www.vemdauva.com.br).

Sobre o Autor

Já quis ser advogado, juiz e economista. Tenho 23 anos. Técnico em Vitivinicultura. Estudante de Engenharia Química, sendo que no decorrer do caminho descobri que serei vitivinicultor.

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