Como fazer a Análise Visual do vinho (Parte 1/3)

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Este artigo é dividido em 3 partes para você acompanhar melhor como analisar um vinho durante uma degustação. Ou em casa mesmo, com os amigos ou aquela pessoa especial.

Eu já comentei com vocês que eu conheço muita gente nessa vida que tem medo de degustações. Medo porque acha que tem uma regra, uma etiqueta, então resolvi explicar pra vocês do meu jeitinho, simples, o que é uma análise sensorial de vinho, ou seja, uma degustação de vinho.

Depois de ler essa série, que vai ser dividida em três artigos, você vai poder degustar um vinho como um profissional. Sem complicação, sem truque, sem dificuldade. Vou te mostrar passo a passo como os profissionais fazem em degustações oficiais e vou te ensinar um pouco mais.

No final das três postagens você vai poder sentar tranquilamente em uma mesa de degustação e até ensinar os amigos!

cores-envelhecimento
Vamos começar, então?

Uma degustação sensorial é dividida em três partes:

Ver, cheirar e beber. Fácil assim. E essa será a divisão dos três artigos da série “degustando como um profissional”.

Nessa primeira parte você vai aprender a fazer a análise visual, ou seja, hoje você não vai beber vinho 🙁

Cor

É a parte mais legal na análise de vinhos tintos. Eu acho, pelo menos. A cor pode dizer muito de um vinho. Quanto mais viva for essa cor, puxar para violeta, rubi, vermelho vivo, mais jovem é esse vinho. Quando ele apresentar cores mais fechadas, ele vai ser um vinho que já tem passagem por barrica de carvalho, pode demonstrar um vinho mais elegante e complexo. Já os de cores que puxam para tijolo, esses, se estiverem no auge de sua vida, podem virar uma festa na boca, caso se trate de um bom vinho.

Pra facilitar essa parte, eu fiz o infográfico que você vê no início da postagem. Pra você poder visualizar melhor, é só clicar aqui que vai abrir uma versão em alta qualidade. Ou então acompanhar as três cores logo abaixo, que eu postei separadamente pra você poder analisar melhor.

cor-1

 

cor-2

cor-3


 

Para comparar melhor, veja as imagens lado a lado clicando aqui.

Limpidez

Muita gente acha que o vinho precisa ser extremamente límpido e prega que isso é regra. Eu discordo. Acho que vinhos complexos, que tem passagem por barrica de carvalho, tendem a ser mais densos, deixam pouca luz atravessá-los. Exatamente por causa dessas partículas suspensas. Elas são resultado do envelhecimento do vinho e do contato com barricas de carvalho.

Há um processo que chamamos de borra em vinhos de maior valor e complexidade. Isso se dá por causa da polimerização dos taninos. Compliquei, né? Espera, vamos por partes.

Os taninos são responsáveis pela adstringência do vinho, pela sensação de “travar a língua”, tipo goiaba ou caqui verde, sabe? Essas partículas (os taninos) começam a grudar umas nas outras e tendem a descer pro fundo da garrafa (precipitar).

O vinho vai perder um pouco do seu tanino, mas é um processo natural no envelhecimento de bons vinhos em garrafa. Isso NÃO significa que o vinho está ruim, nestes casos, ele precisa ser decantado e servido cuidadosamente, para que os taninos polimerizados (a borra) fique no fundo da garrafa ou decantador, sem ir para a taça.

>>>> Meu ponto nisso tudo?

É que a limpidez é variável. Esse vinho “turvo” ou “denso” pode sim significar que o vinho não está próprio para o consumo, até mesmo um defeito na fabricação, ou que a garrafa foi mal armazenada, mas pode também indicar que o seu vinho é excelente!

No fim das contas você precisa de três qualidades aqui: que seu vinho seja brilhoso e denso (não-transparente), pra demonstrar complexidade. Isso se você estiver buscando um vinho complexo. Se você gosta de vinhos jovens, vai procurar o contrário, vinhos mais transparentes, sem cores fechadas, que impossibilitam visualizar o outro lado da taça.

Dica 1 – Se você quiser fazer um teste pra ver quão límpido é o seu vinho, ponha um texto do outro lado da taça. Se for fácil de ler, ele é límpido. Se o texto borrar, não é. Vinhos jovens e prontos para o consumo (os mais baratos no mercado, geralmente), tendem a ser extremamente límpidos. Os vinhos reserva podem ser um pouco mais escuros e passam pouca luz para o outro lado da taça. Teste!

Dica 2 – Quando for por vinho em sua taça para fazer essa análise visual, não passe de 2 dedos de vinho. Nunca chegue até o meio da taça, isso vai dificultar a inclinação para você fazer o teste visual.

Aspecto

No aspecto você vai avaliar como esse vinho se apresenta fisicamente. É aqui que entra as famosas “lágrimas”. O que são as lágrimas? As lágrimas estão ligadas ao álcool do vinho. O glicerol, que a gente já viu neste artigo que tem mais 9 dicas de degustação pra você.

Quanto mais devagar as lágrimas descerem, maior a graduação alcoólica desse vinho. O glicerol também é responsável pela sensação gostosa de língua aveludada na boca. Se o vinho tiver pouco glicerol, ou seja, se as lágrimas descerem rapidamente, ele vai ter pouco volume na boca.

O vinho fica “sem graça”. Mas obviamente, o álcool precisa estar equilibrado pra poder ser agradável. Nada daquela sensação de álcool que agride a boca. Eca!

E aí, como eu me saí? Deu pra entender? Ficou ainda muito confuso? Se você quer me dar um toque mas não quer que seja pelos comentários, pode mandar no e-mail marcos@vemdauva.com.br. Caso contrário, pode comentar aí embaixo que a gente começa uma conversa.

Sobre o Autor

Finalista da copa Vinhos do Brasil 2014 realizada pelo IBRAVIN. Colaborador da revista Clube do Champagne. Wine-junkie certificado. Passo meus dias entre vinhedos, escritórios e mesas de bar. Tin-tin!

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