13 curiosidades do vinho Carménère (e seus 200 anos disfarçada de Merlot!)

0

Descobrir sobre as uvas que fazem o vinho que você adora é sempre uma diversão garantida, se o seu é o Carménère, então você está no lugar certo. Eu, por exemplo, adorava saber mais sobre a Pinot Noir quando comecei a gostar de vinho. Sim, foi minha primeira uva favorita. Isso mudou com o tempo, e a cada fase da vida ou estação do ano, eu mudo de “uva preferida“.

Embora muitas pessoas não saibam disso, a Carménère é uma das uvas com o maior acúmulo de curiosidades fabulosas no mundo do vinho. Não é qualquer historinha, não. São histórias incríveis, como ficar extinta por 200 anos e fazer um retorno triunfal ao mundo do vinho.

Nós juntamos 13 curiosidades sobre a Carménère para te deixar surpreso!

Falar sobre a Carménère é relembrar uma série de informações históricas. Para conhecer mais sobre a produção, história e demais aspectos deste vinho, confira este post. Vamos nos divertir?

1. A uva foi quase extinta

Por volta do ano de 1860, em virtude de uma terrível praga chamada Filoxera, que invadiu os vinhedos europeus, a Carménère foi dizimada no Velho Continente.

O mercado do vinho foi dramaticamente alterado por causa da filoxera. Até hoje a praga não está extinta, e a prática do porta-enxerto é usada no mundo todo, inclusive na Europa, para evitar que a planta adoeça.

Para você entender melhor: o porta-enxerto consiste em usar a base da planta (raíz) de uma espécie que é resistente a Filoxera. O resto da planta (frutos, folhas, caules), são da uva original.

  • Na raiz
    Espécie Vitis Labrusca, resistente a Filoxera, são as uvas que encontramos no mercado e fazem os vinhos de mesa ou “coloniais”.
  • No broto (de onde surgirá a planta, folhas e frutos)
    São as Vitis Vinífera, que são a Malbec, a Cabernet, Pinot Noir, etc.

Pega-se os pés de uma e o corpo de outra. Uma espécie de híbrido de plantas.

A chegada da salvação veio pelo Chile
Por obra do destino, os imigrantes europeus que à época já começavam a habitar o continente americano, sem querer trouxeram esta uva para o Chile, onde ela encontrou as condições climáticas perfeitas.

A Carménère só foi reencontrada em 1994, por acidente
Um estudioso queria entender por que alguns pés de Merlot amadureciam antes que os outros em um vinhedo no Chile. Com estudo genético, chegou-se a conclusão que se tratavam de Carménère e não de Merlot.

2. A cada 4 ou 5 anos a produção de Carmenère tem uma queda brusca

Em 2016, a produção de vinhos no Chile teve queda de 21% (contra 35% da Argentina), segundo a OIV – Organização Mundial do Vinho e da Vinha. O Chile é hoje o sétimo maior produtor de vinhos do mundo.

Tudo isso se deve aos fenômenos de mudança climáticas por qual o mundo passa. Além do aparecimento do El Niño, um fenômeno climático que atinge a América do Sul a cada 4 ou 5 anos, devido ao aquecimento das águas do Pacífico. As chuvas aumentam, prejudicando a produção, com cheias que afetam inclusive os vinhedos.

3. Apesar de ser seu segundo berço, a Carménère não é restrita ao Chile

Comprar um bom Carménère é sempre uma tarefa difícil. Devido à grande popularidade da uva, os vinhos mais sofisticados de Carménère, com envelhecimento em carvalho e mais encorpados, são difíceis de encontrar. É como buscar uma agulha em um palheiro.

Mas lembre-se, existem Carménère de outros países que não são o Chile. Há Carménère, por exemplo, na Austrália, Estados Unidos, França e inclusive no Brasil. São incomuns, mas existem.

Em virtude das condições climáticas do Chile, acabou por sendo o terroir perfeito para o cultivo dessa uva. Além dos laços históricos com o país, como vimos no item 1.

4. Ficou desconhecida por mais de um século

Embora a Carménère tenha sido plantada em diversos vinhedos chilenos, ela era confundida com a uva Merlot em virtude da semelhança das folhas e características do fruto.

Por quase 200 anos ela ficou assim, inexistente na terra. Nem a França a tinha. Somente no ano de 1994 foi que uma equipe de enólogos e cientistas franceses identificou que a uva em questão tratava-se da espécie Carménère e não de Merlot como se acreditava.

5. O clima ideal do Chile

Alguns podem perguntar: “O que o Chile tem de tão especial para ter o Carménère mais famoso do mundo”?

O país foi privilegiado com recursos naturais que dificilmente encontramos em outros locais do planeta. Esses recursos são:

  • Proximidade com o Oceano Pacífico
    Criando a umidade do ar essencial para essas uvas;
  • Deserto do Atacama
    Terreno árido e a pouca incidência de chuvas faz com que a perda de safras sejam menores;
  • Proximidade da Cordilheira dos Andes
    Criando condições climáticas e proteção contra temporais;
  • Áreas de água fria provenientes do Polo Sul
    Para irrigar os terrenos áridos é preciso água, se for fria, melhor ainda.

A combinação de todos esses fatores proporciona o isolamento físico e geográfico perfeito para que as pragas (como a Filoxera) fiquem bem longe da uva Carménère. Além disso, o terreno árido dificulta o desenvolvimento da praga.

6. De difícil cultivo

Este tipo de uva requer cuidados especiais quanto ao cultivo. Não é a toa que poucos países no mundo voltaram a produzi-la. O motivo disso está relacionado à casta sensível, tempo de amadurecimento (que é longo) e a necessidade de acertar o momento exato da colheita.

Em suma, o cultivo da Carménère e comercialização do vinho feito com ela requer muita habilidade de todos os profissionais envolvidos no processo. Alguns especialistas dizem que ela é tão difícil quanto a Pinot Noir.

7. Corresponde a menos de 11% da produção de vinhos chilenos

Apesar da grande popularidade da uva no Chile, ela não corresponde nem a 11% da produção nacional, ficando atrás de muitas outras uvas. A divisão da produção no Chile fica assim:

  • Cabernet Sauvignon: 36%
  • Sauvignon Blanc: 14.3%;
  • Merlot: 12%;
  • Chardonnay, Carménère e Syrah correspondem a menos de 10% cada uma.

Merece destaque o Vale do Colchagua, região responsável pelo maior percentual de cultivo de uvas desse tipo do país. Lembrando que outras regiões como Maipu também produzem a uva.

8. Carménère nos vinhos de corte (blends)

A uva Carménère é muito utilizada na produção de outros vinhos. Por isso, de forma geral, ela é combinada com uvas do tipo Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Malbec e muitas outras. É o que conhecemos como vinho de corte ou blends.

Com isso, graças à habilidade dos profissionais envolvidos no processo de produção é possível obter excelentes vinhos. Cada uva fornece uma característica na qual é mais forte. Acidez, taninos ou álcool, por exemplo.

9. Colheita no tempo exato

Colher a Carménère antes do tempo certo pode significar uma tragédia para a qualidade do vinho. Isso porque a pirazina fica muito evidente no vinho, deixando-o com um sabor predominantemente amargo. Aromas herbáceos negativos também aparecem.

Por isso, os produtores chilenos que se dedicam ao cultivo desta uva necessitam colhê-la no tempo exato. Nem muito nem pouco madura.

10. Atenção na hora da escolha

Seja em um restaurante, bar ou até mesmo para tomar um vinho numa noite fria em casa, ao escolher o Carménère é fundamental obter dicas sobre os vinhos deste tipo que são mais redondos e frutados.

Se você quiser algo mais rebuscado, com aromas de torrefação, baunilha e outros detalhes amadeirados, a tarefa pode ser difícil. O Carménère chileno, no geral, busca um vinho mais frutado, sem muita complexidade. Ideal para o dia a dia.

11. Melhores regiões produtoras

Além do Vale do Colchagua, outras regiões chilenas se destacam pela qualidade na produção de vinhos Carménère. Essas regiões são:

  • Vale do Maipu;
  • Vale do Maule;
  • Vale Elqui.
DICA
Para caprichar na escolha desse vinho, é interessante observar no rótulo se ele é proveniente de uma dessas regiões. Isso pode garantir a qualidade do seu vinho.

12. A melhor harmonização para Carménère

O Chile é mundialmente conhecido por seus filés de carne vermelha. E um dos vinhos mais famosos do país não poderia deixar de ir bem com carnes vermelhas, sem molhos. Com os condimentos corretos, esta deve ser a melhor harmonização para um Carménère.

Outras harmonizações interessantes:

  • Carnes na grelha;
  • Costelas assadas;
  • Vitela;
  • Cortes de carna na brasa;
  • E o nosso famoso churrasco!

Também são ótimas pedidas para a Carménère a carne de porco, hambúrguers e pizzas.

13. Uva símbolo do Chile

Todas as curiosidades mencionadas anteriormente revelam porque a Carménère tornou-se a uva símbolo do Chile, demonstrando toda tradição deste país quanto à produção dos melhores vinhos do mundo.

No entanto, é importante frisar que nem só de Carménère são feitos os vinhedos chilenos. O país se destaca quanto à produção de muitos outros tipos de vinho, incluindo:

  • Cabernet Sauvignon;
  • Pinot Noir;
  • Chardonnay;
  • Merlot;
  • Syrah;
  • Malbec;
  • Carbenet Franc
  • Sauvignon Blanc
  • Moscatel de Alexandria

E então, já encontrou o seu preferido?

O que achou dessas curiosidades sobre o vinho Carménère? Sabia de tudo isso? Compartilhe com os amigos o conhecimento!

Não deixe de me dizer o que achou do artigo nos comentários abaixo! Assine nossa newsletter e receba nossas postagens!

Sobre o Autor

Finalista da copa Vinhos do Brasil 2014 realizada pelo IBRAVIN. Colaborador da revista Clube do Champagne. Wine-junkie certificado. Passo meus dias entre vinhedos, escritórios e mesas de bar. Tin-tin!

Envie uma resposta

Mais vinho, por favor!

Assine
e receba
GRÁTIS
dicas sobre vinhos

Divirta-se com uma taça!
ASSINAR
close-link
ASSINAR O BLOG
Shares
Share This